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Musicart

#CurtasMusicart: Bruno Martins

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Jornalista e produtor de Rádio, Bruno Martins tem-se dedicado à música e cultura em geral.
Depois de uma passagem pela imprensa escrita, onde passou pelo Portugal Diário e Jornal Metro, chegou à Antena 3 em 2017 para falar de cultura no "Domínio Público", sendo actualmente um dos apresentadores do programa "Razão de ser".

Em paralelo, colaborou com o Rimas e Batidas e é dono do podcast Assim Assado, onde entrevista pessoas ligadas ao Mundo da Gastronomia.

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Desta vez, para variar, foi ele o entrevistado.
Três perguntas, com uma delas a tocar num dos temas da actualidade: a preocupação com o impacto do virus na música e na cultura em geral.

 

Imprensa escrita ou Rádio. Qual e porquê?
Na verdade, acredito num conceito de Imprensa mais geral, porque não existe um meio sem os outros. Até porque todo o jornalismo começa com o acto da escrita. De resto, são processos de trabalho específicos para atingir o mesmo objetivo: informar, da melhor forma possível, contando as histórias da melhor forma possível, seja em jornais, rádio, internet ou televisão. De um ponto de vista muito pessoal, a verdade é que depois de 12 anos a trabalhar em jornais e revistas (papel e digital), a rádio (e a Antena 3, muito em particular, pela forma como se trabalha nesta casa) trouxe-me outras ferramentas que me agradam muito, nomeadamente o trabalhar com som. E como a Antena 3 também não é uma rádio fechada num só formato, comecei também a trabalhar com mais vídeo (na criação de Documentários) isto, obviamente, sem nunca deixar a escrita.

Existe a sensação de que, nos últimos anos, a música portuguesa passava por uma boa fase - mesmo no que toca a artistas e editoras independentes. Concordas? Se sim, a que se deve o momento? Há mais qualidade?
Claro que concordo, mas sinto que é algo que vem de há já muitos anos. Imagino que já havia muita gente a fazer coisas com muita qualidade, mas com menos "palco". Hoje há mais tudo: espaço, espaços e divulgação - culpe-se o lado independente e a vontade de os músicos quererem fazer coisas, dê lá por onde der. Também nós, enquanto ouvintes, alargámos a nossa escuta, abrimos os nossos ouvidos e talvez nos tenhamos tornado menos preconceituosos àquilo que é novo.

Como achas que vai ser o cenário (da música e cultura em geral) no pós-COVID? Voltámos ao ponto onde estávamos ou temos de dar um passo ao lado e seguir um caminho completamente diferente?
Acho que não há volta atrás em nada. O vírus vai alterar tudo, a começar por nós mesmos - aliás, já nos alterou: já nos colocou barreiras de protecção à frente uns dos outros. A indústria da cultura - e da música - estão já a sofrer muito e a sobrevivência vai obrigar, em primeiro lugar, a muitos sacrifícios e depois a muita criatividade. Os músicos vão ter que encontrar novos recursos, novas ferramentas, para chegar ao público. Creio que imaginação não vá faltar - até porque estamos a falar de gente muito criativa por natureza - mas será preciso ter espírito de sacrifício e audácia. No entanto, nesta altura em que falamos, a prioridade tem que ser a "comida na mesa", porque a precariedade com que se vive no mundo artístico provocou muitas dificuldades financeiras, não só aos músicos mas a toda a gente que trabalha com eles. E ninguém consegue ser criativo de barriga vazia e com (demasiadas) contas para pagar. O urgente, nesta altura, é encontrar uma forma de trazer de volta a cabeça limpa dos artistas para haver espaço para criar.

 

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Obrigado ao Bruno Martins pela disponibilidade!
Continuem a acompanhar a voz dele na "Razão de ser", na Antena 3 entre as 11H e as 12H ou em através do RTP Play.